Política
Candidato do Novo ao Senado parte para cima de Manato
“Vossa Excelência não ganhou as duas últimas eleições nem com o apoio do maior líder da direita no Brasil. Porque é despreparado. Porque é incompetente”.

Em meio ao acirramento interno da direita nacional e ao cenário de fragmentação que também se instalou no Espírito Santo, o vereador de Vitória e pré-candidato do Novo ao Senado, Leonardo Monjardim, protagonizou nesta quarta-feira (3), um dos mais duros embates públicos do campo político capixaba neste período pré-eleitoral. Da tribuna da Câmara de Vitória, em sessão plenária, o vereador disparou uma série de ataques ao ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), que igualmente pretende concorrer ao Senado em 2026.
A reação de Monjardim ocorreu após um discurso feito por Manato na noite anterior (2), durante sessão solene na Câmara de Vila Velha, proposta pelo vereador Patrick da Guarda (PL) em homenagem a movimentos de direita. Embora não tenha citado o nome de Monjardim, o ex-deputado fez referências entendidas como direcionadas ao pré-candidato do Novo, sugerindo que sua pré-campanha ao Senado seria apenas uma vitrine para disputar a vice-prefeitura de Vitória em 2028.
Na sessão em Vila Velha, Manato afirmou: “o projeto do Callegari é um projeto. Ele está botando o nome dele e defendendo suas ideias. Esse projeto eu acredito que pode ter um futuro. Agora, ‘eu sou candidato porque em 2028 eu quero ser candidato a vice-prefeito’não é projeto. Pode estar no partido que queira. Não é projeto. É isso que nós temos que olhar.
O contra-ataque de Monjardim
Já na tribuna de Vitória, Monjardim afirmou que o objetivo era “mandar um recado” ao ex-deputado e o desafiou a debater “qualquer tema”. Em seguida, elevou o tom.
“Aquele que deveria ser o grande líder da direita é justamente quem mais provoca a cisão. E eu vou dar nome: Carlos Manato. Ele ficou falando nas entrelinhas, mas eu falo claro. Dois interlocutores já me alertaram que ele anda espalhando que minha candidatura é factóide e que é projeto para 2028. Pois aqui eu digo: Vossa Excelência não ganhou as duas últimas eleições nem com o apoio do maior líder da direita no Brasil. Porque é despreparado. Porque é incompetente”.
O vereador ampliou as acusações e destacou o histórico partidário de Manato: “Você só ganhou eleição quando estava na esquerda, no PDT, com apoio do Sérgio Vidigal. Depois, pelo Solidariedade, do Paulinho da Força. E não adianta tentar inverter. Eu errei, refleti e estou na direita desde 2018. Mas Vossa Excelência é tão desqualificado que não consegue sequer pensar um projeto maior”.
Em novo ataque direto, Monjardim reforçou: “Você é uma vergonha para a direita do Espírito Santo. Teve um milhão de votos e não consegue um partido para ser candidato ao Senado. Fica nos botequins da cidade conversando fiado, desqualificando a nova geração da política”.
O vereador Monjardim ainda disse que Manato atua por “negociatas”, citou a participação política da esposa do ex-deputado, Soraya Manato, e criticou:
“Seja homem, seja digno. Não me meça pela sua régua. Tome vergonha na cara”.
Em outras intervenções na sessão, Monjardim voltou à tribuna para reforçar críticas, chamando Manato de “político turista”, de alguém que “só aparece em eleição”, e afirmou que ele estaria “mais preocupado em fazer videozinho cozinhando lagosta e camarão VG em Pedra Azul”.
Disputa aberta na direita capixaba
O confronto ocorre em um cenário de superlotação de pré-candidaturas no campo que vai da centro-direita à extrema-direita no Espírito Santo. Além de Monjardim e Manato, também são citados como possíveis postulantes ao Senado nomes como Maguinha Malta (PL), Wellington Callegari (DC), Marcos do Val (caso obtenha legenda), Euclério Sampaio, além de eventual participação de Evair de Melo ou Da Vitória, ambos do PP. Sérgio Meneguelli também mantém apelo entre parte do eleitorado conservador.
Política
Pazolini deixa o cargo e Cris Samorini é a nova prefeita de Vitória
Cris assinou o termo de posse na manhã deste sábado, após renúncia de Pazolini para disputar as eleições

Na manhã deste sábado (04), a Prefeitura de Vitória formalizou a assinatura do termo de transmissão de cargo do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a vice, Cris Samorini (PP), que se tornou a primeira mulher a comandar a Capital do Espírito Santo.
O termo foi assinado no gabinete da presidência da Câmara de Vitória, na presença do presidente do Legislativo, Anderson Goggi (Republicanos), e do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso
O ato vem após Pazolini renunciar ao cargo para concorrer nas eleições deste ano – ele é pré-candidato ao governo do Estado. De acordo com o ofício enviado à Câmara, a renúncia foi marcada para hoje.
Segundo Goggi, com a renúncia do prefeito, automaticamente a vice assume. “O ato de posse foi somente para formalizar, porque ela já assume automaticamente, já é a prefeita definitiva. Na segunda, será a solenidade de posse”.
Em nota, Cris disse que o ato garante a continuidade das ações: “Cumprimos uma etapa importante que está dentro do regimento e da lei orgânica, e agora seguimos com uma gestão planejada, garantindo a continuidade das ações. Meu compromisso é manter o ritmo de trabalho, dar sequência ao direcionamento estabelecido e assegurar que as entregas previstas para a cidade sejam concluídas como esperado”.
“Momento importante para a cidade de Vitória, fizemos a transição com gratidão a Deus, a minha família e aos capixabas, com serenidade e sabedoria, com a confiança que a Cris vai continuar e aprimorar esse trabalho, investindo muito na cidade, cuidando das pessoas e com a certeza que Vitória está em ótimas mãos”, destacou Pazolini, também por meio de nota.
A solenidade de posse está marcada para a próxima segunda-feira (06), às 17 horas, na Câmara de Vitória.
Política
Lucas Polese leva ao TCES denúncia contra diretor do DER-ES em obra de São Mateus
Parlamentar aponta possível favorecimento em desapropriação milionária e cobra apuração sobre alteração do traçado do contorno rodoviário

A cena ocorrida nos degraus do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) nesta semana carrega um simbolismo que vai além da política partidária. Quando o deputado estadual Lucas Polese protocolou pessoalmente uma representação contra o diretor do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, ele não estava apenas entregando papéis; estava acionando as engrenagens de um sistema desenhado para proteger o cidadão comum.
O Caso em Questão
No centro da denúncia, uma questão de princípios: a obra do contorno de São Mateus. Segundo o parlamentar, há indícios graves de conflito de interesses. A suspeita é de que o traçado da rodovia teria sido alterado para atingir terras pertencentes ao próprio diretor da autarquia, resultando em uma indenização milionária de mais de R$ 3 milhões.
O que torna o relato ainda mais sensível ao olhar humano é a disparidade no tratamento: enquanto o gestor já teria recebido parcelas consideráveis da indenização, outros dez proprietários locais — cidadãos sem cargos de poder — ainda aguardam o início de seus pagamentos.
Para Polese, a questão central não é técnica, mas moral. Em sua visão, mesmo que a desapropriação fosse o único caminho viável, a ética exigiria um distanciamento absoluto do beneficiado. “Não se trata apenas de uma discussão burocrática. Estamos falando de respeito ao contribuinte”, defende o deputado.
Essa postura do mandato reflete um sentimento crescente na sociedade: o desejo de que o agente público não seja apenas eficiente, mas inquestionável em sua conduta.
Fiscalizar é, talvez, a tarefa mais árdua e solitária de um deputado. Ao levar o caso ao TCES, a denúncia sai do barulho das redes sociais e entra no campo da legalidade institucional.
É fundamental lembrar que, em uma democracia saudável, a investigação é o caminho para a verdade:
- Para o acusado: É a oportunidade de provar a regularidade de seus atos sob o crivo técnico.
- Para o acusador: É o cumprimento do dever de não se calar diante de dúvidas relevantes.
- Para a sociedade: É a garantia de que o dinheiro dos seus impostos não está sendo usado para privilegiar poucos em detrimento de muitos.
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A expectativa agora recai sobre os órgãos de controle. O que a população capixaba espera não é o espetáculo da condenação antecipada, mas a serenidade da justiça. Ao provocar esse debate, Lucas Polese reafirma que o gabinete parlamentar deve funcionar como um canal aberto para a população — um lugar onde denúncias ganham voz e a transparência se torna a regra, não a exceção.
No fim, a mensagem é clara: o caixa do Estado pertence ao povo, e qualquer um que o gerencie deve estar pronto para prestar contas sob a luz mais forte do tribunal.
Política
Pazolini e Arnaldinho juntos no Carnaval de Vitória. Juntos também na eleição?
Os dois prefeitos são cotados para disputar o governo do Estado e, até então, estavam em lados opostos

O abre-alas do Carnaval de Vitória 2026 colocou na avenida um fato que não estava no enredo de nenhuma agremiação – nem carnavalesca e nem partidária.
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), chegaram juntos ao Sambão do Povo, anunciaram investimentos lado a lado e desfilaram pela passarela do samba na mesma cadência.
Demonstrando muito entrosamento e uma aproximação até então jamais vista, os dois cumprimentaram a plateia, bateram ponto nos camarotes e posaram para fotos abraçados e com os braços erguidos.
A cena passaria despercebida se não fosse o fato de que os dois são pré-candidatos ao governo do Estado neste ano e integram grupos opostos – ou pelo menos integravam, até a noite desta sexta-feira (06).
Arnaldinho é (ou era) aliado do governador Renato Casagrande (PSB), adversário de Pazolini. Mesmo após ser deixado na concentração na escolha da sucessão – o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) será o nome apoiado por Casagrande na disputa pelo Palácio Anchieta –, o prefeito reiterou apoio a Casagrande na disputa ao Senado e não recuou, nem um centímetro, em sua pré-candidatura ao governo.







