Política
Uma pulverização de candidaturas ao governo do Espírito Santo?

O Espírito Santo pode caminhar para um cenário de pulverização de candidaturas ao governo neste ano, muito em função das conjunturas nacionais, especialmente da disputa pela Presidência da República.
Conforme revelou O Globo nesta quinta-feira (5), a novidade da vez é o senador Magno Malta (PL) surgir como possível nome ao Palácio Anchieta. A lógica é clara: garantir palanque no Estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, e, ao mesmo tempo, fortalecer o partido tanto na majoritária ao Senado quanto nas proporcionais para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
Caso esse movimento se concretize, a direita e a centro-direita capixabas tendem a se fragmentar ainda mais. Um dos nomes que vem sendo trabalhado nesse campo é o do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que conta com simpatia de setores conservadores e apoio declarado do ex-governador Paulo Hartung (PSD). Dentro do próprio PL há defensores de Pazolini, mas a ausência de alinhamento explícito ao bolsonarismo e a prioridade do partido em estruturar o palanque de Flávio Bolsonaro tornam um acordo improvável no momento.
Outro que busca espaço nesse eleitorado é o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Embora se declare aliado do governador Renato Casagrande (PSB), Arnaldinho diverge da estratégia do socialista de impulsionar a pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), nome tradicional da centro-direita que também entra nesse tabuleiro.
No campo progressista, o deputado federal Helder Salomão (PT) surge como pré-candidato, com missão semelhante à de Magno Malta: construir palanque para a reeleição do presidente Lula e fortalecer o partido no Espírito Santo. O PT aposta em competitividade, apesar do histórico recente de resistência ao lulismo no Estado e de pesquisas que apontam Pazolini e Ricardo em posição mais favorável.
Esse arranjo levanta algumas questões. Com o PL adotando a estratégia de lançar Magno ao governo, torna-se pouco provável, por exemplo, que o deputado federal Evair de Melo (Progressistas) deixe a federação União Progressista, que reúne Progressistas e União Brasil, para disputar o Senado, já que ele tem defendido publicamente a unidade da direita.
Também chama atenção o efeito da polarização nacional entre PT e PL, que pode impulsionar os candidatos dessas siglas pela simples associação ao embate presidencial. Nesse contexto, Pazolini tende a ser pressionado por setores mais ideológicos da direita por não ter se vinculado a Bolsonaro da forma esperada. E onde fica Ricardo Ferraço nessa equação?
O emedebista, em tese, não carrega o mesmo “teto de vidro” imposto pelo cenário nacional, assim como Arnaldinho. Além disso, por estar vinculado ao grupo que comandará a máquina estadual até o pleito (com grande chance de Ricardo assumir, por conta da possível candidatura de Casagrande ao Senado), tende a operar em ambiente mais confortável para articulações e construção de alianças.
Não se trata de garantia de sucesso, mas de uma vantagem relativa num quadro em que o PL pode se tornar mais um polo de ataque a Pazolini, hoje o principal antagonista do grupo de Casagrande. Ainda há muito chão até as convenções, mas a possível desunião da direita pode acabar funcionando como fator de fortalecimento para Ricardo e seus aliados. Pode ser, mas, como quase tudo na política, não é uma certeza.
Diferentes cantos
Arnaldinho continua realizando reuniões com representantes de diversos cantos do Espírito Santo. Observadores apontam que o tucano tende mesmo a renunciar para a disputa ao governo.
Política
Pazolini deixa o cargo e Cris Samorini é a nova prefeita de Vitória
Cris assinou o termo de posse na manhã deste sábado, após renúncia de Pazolini para disputar as eleições

Na manhã deste sábado (04), a Prefeitura de Vitória formalizou a assinatura do termo de transmissão de cargo do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a vice, Cris Samorini (PP), que se tornou a primeira mulher a comandar a Capital do Espírito Santo.
O termo foi assinado no gabinete da presidência da Câmara de Vitória, na presença do presidente do Legislativo, Anderson Goggi (Republicanos), e do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso
O ato vem após Pazolini renunciar ao cargo para concorrer nas eleições deste ano – ele é pré-candidato ao governo do Estado. De acordo com o ofício enviado à Câmara, a renúncia foi marcada para hoje.
Segundo Goggi, com a renúncia do prefeito, automaticamente a vice assume. “O ato de posse foi somente para formalizar, porque ela já assume automaticamente, já é a prefeita definitiva. Na segunda, será a solenidade de posse”.
Em nota, Cris disse que o ato garante a continuidade das ações: “Cumprimos uma etapa importante que está dentro do regimento e da lei orgânica, e agora seguimos com uma gestão planejada, garantindo a continuidade das ações. Meu compromisso é manter o ritmo de trabalho, dar sequência ao direcionamento estabelecido e assegurar que as entregas previstas para a cidade sejam concluídas como esperado”.
“Momento importante para a cidade de Vitória, fizemos a transição com gratidão a Deus, a minha família e aos capixabas, com serenidade e sabedoria, com a confiança que a Cris vai continuar e aprimorar esse trabalho, investindo muito na cidade, cuidando das pessoas e com a certeza que Vitória está em ótimas mãos”, destacou Pazolini, também por meio de nota.
A solenidade de posse está marcada para a próxima segunda-feira (06), às 17 horas, na Câmara de Vitória.
Política
Lucas Polese leva ao TCES denúncia contra diretor do DER-ES em obra de São Mateus
Parlamentar aponta possível favorecimento em desapropriação milionária e cobra apuração sobre alteração do traçado do contorno rodoviário

A cena ocorrida nos degraus do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) nesta semana carrega um simbolismo que vai além da política partidária. Quando o deputado estadual Lucas Polese protocolou pessoalmente uma representação contra o diretor do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, ele não estava apenas entregando papéis; estava acionando as engrenagens de um sistema desenhado para proteger o cidadão comum.
O Caso em Questão
No centro da denúncia, uma questão de princípios: a obra do contorno de São Mateus. Segundo o parlamentar, há indícios graves de conflito de interesses. A suspeita é de que o traçado da rodovia teria sido alterado para atingir terras pertencentes ao próprio diretor da autarquia, resultando em uma indenização milionária de mais de R$ 3 milhões.
O que torna o relato ainda mais sensível ao olhar humano é a disparidade no tratamento: enquanto o gestor já teria recebido parcelas consideráveis da indenização, outros dez proprietários locais — cidadãos sem cargos de poder — ainda aguardam o início de seus pagamentos.
Para Polese, a questão central não é técnica, mas moral. Em sua visão, mesmo que a desapropriação fosse o único caminho viável, a ética exigiria um distanciamento absoluto do beneficiado. “Não se trata apenas de uma discussão burocrática. Estamos falando de respeito ao contribuinte”, defende o deputado.
Essa postura do mandato reflete um sentimento crescente na sociedade: o desejo de que o agente público não seja apenas eficiente, mas inquestionável em sua conduta.
Fiscalizar é, talvez, a tarefa mais árdua e solitária de um deputado. Ao levar o caso ao TCES, a denúncia sai do barulho das redes sociais e entra no campo da legalidade institucional.
É fundamental lembrar que, em uma democracia saudável, a investigação é o caminho para a verdade:
- Para o acusado: É a oportunidade de provar a regularidade de seus atos sob o crivo técnico.
- Para o acusador: É o cumprimento do dever de não se calar diante de dúvidas relevantes.
- Para a sociedade: É a garantia de que o dinheiro dos seus impostos não está sendo usado para privilegiar poucos em detrimento de muitos.
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A expectativa agora recai sobre os órgãos de controle. O que a população capixaba espera não é o espetáculo da condenação antecipada, mas a serenidade da justiça. Ao provocar esse debate, Lucas Polese reafirma que o gabinete parlamentar deve funcionar como um canal aberto para a população — um lugar onde denúncias ganham voz e a transparência se torna a regra, não a exceção.
No fim, a mensagem é clara: o caixa do Estado pertence ao povo, e qualquer um que o gerencie deve estar pronto para prestar contas sob a luz mais forte do tribunal.
Política
Pazolini e Arnaldinho juntos no Carnaval de Vitória. Juntos também na eleição?
Os dois prefeitos são cotados para disputar o governo do Estado e, até então, estavam em lados opostos

O abre-alas do Carnaval de Vitória 2026 colocou na avenida um fato que não estava no enredo de nenhuma agremiação – nem carnavalesca e nem partidária.
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), chegaram juntos ao Sambão do Povo, anunciaram investimentos lado a lado e desfilaram pela passarela do samba na mesma cadência.
Demonstrando muito entrosamento e uma aproximação até então jamais vista, os dois cumprimentaram a plateia, bateram ponto nos camarotes e posaram para fotos abraçados e com os braços erguidos.
A cena passaria despercebida se não fosse o fato de que os dois são pré-candidatos ao governo do Estado neste ano e integram grupos opostos – ou pelo menos integravam, até a noite desta sexta-feira (06).
Arnaldinho é (ou era) aliado do governador Renato Casagrande (PSB), adversário de Pazolini. Mesmo após ser deixado na concentração na escolha da sucessão – o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) será o nome apoiado por Casagrande na disputa pelo Palácio Anchieta –, o prefeito reiterou apoio a Casagrande na disputa ao Senado e não recuou, nem um centímetro, em sua pré-candidatura ao governo.







