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Sergio Sampaio: depois que botou, ninguém mais tirou o bloco da rua

Três décadas após a morte de Sérgio Sampaio, sua obra continua a produzir um tipo de presença rara na cultura brasileira: aquela que não se resolve nem pela consagração fácil, nem pelo esquecimento completo. Há artistas que o tempo acomoda em prateleiras estáveis, com rótulos nítidos e biografias domesticadas. Sampaio, ao contrário, persiste como fricção. Seu canto, entre o deboche e a súplica, entre a marcha carnavalesca e a confissão ferida, segue desafiando o bom-tom e a lógica de mercado que costuma decidir, com pressa, o que “fica” e o que “passa”.
Nascido no Espírito Santo, ele construiu uma trajetória marcada pela recusa do enquadramento. Sua música tocou a canção popular, o rock, o samba, a marcha-rancho, o blues e a sátira, sem pedir autorização aos gêneros. Por isso, foi muitas vezes empurrado para a categoria dos “malditos”, um rótulo ambíguo, que reconhece a originalidade, mas também serve como álibi para a indústria cultural desistir de sustentar carreiras que não se ajustam à normalização estética. O resultado é conhecido: Sampaio tornou-se uma referência decisiva, enquanto o sistema que o cercou insistiu em tratá-lo como exceção incômoda.
Mas há um dado que impede o epitáfio confortável: Sérgio Sampaio não ficou congelado no passado. Sua obra continua circulando porque continua sendo gravada, e isso é um termômetro objetivo de permanência. “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, por exemplo, atravessou décadas em múltiplas leituras, regravada por artistas e grupos de vertentes muito diferentes, de Elba Ramalho e Margareth Menezes a Tom Zé, Ney Matogrosso, Mart’nália, Monobloco, Casuarina, Pitty e BaianaSystem.
Esse arco de reinterpretações não é apenas um inventário de versões: é a prova de que a canção se mantém aberta, capaz de ser reativada em novos contextos sociais, estéticos e geracionais.
Outras regravações também ajudam a desmontar a ideia de “compositor de uma música só”. O Dicionário Cravo Albin registra que Zizi Possi regravou com sucesso “Meu Pobre Blues” ainda na década de 1970, um sinal de como a potência do repertório de Sampaio excedia o hit do carnaval de 1973. E a cada novo ciclo de redescoberta , impulsionado por shows-tributo, festivais e acervos digitais, reaparecem gravações, citações e leituras que reafirmam sua relevância para além da nostalgia.
Há, ainda, um elemento capixaba que precisa ser dito sem folclore: a relação de Sérgio Sampaio com Vitória e com a Universidade Federal do Espírito Santo integra a memória viva de sua circulação artística. Em 1993, ele realizou um show no Cine Metrópolis, espaço cultural da UFES, registro que segue disponível em vídeo e funciona como documento raro de performance, repertório e presença de palco em seus últimos anos. Esse material não vale apenas como curiosidade: ele devolve corpo ao artista e restitui, com nitidez, a dimensão de intérprete , a força de quem fazia da canção um acontecimento, não um produto.
Quando se fala em Sérgio Sampaio, é tentador repetir a fórmula do “gênio incompreendido”. Ela parece elogiosa, mas muitas vezes serve para aliviar responsabilidades: se ele foi incompreendido, a culpa é abstrata; se foi “difícil”, o problema era dele. Trinta anos sem ele deveriam nos levar a uma pergunta menos ornamental: que tipo de ecossistema cultural o Brasil oferece ,especialmente fora do eixo hegemônico , para artistas que recusam a pasteurização? E o que a história de Sampaio revela sobre como o país administra (ou desperdiça) suas próprias singularidades?
É aqui que seu legado se torna mais atual. A obra de Sérgio Sampaio não conforta. Ela pede escuta atenta para o desajuste, para a derrota, para a ironia como forma de sobrevivência. Sua canção expõe o sujeito quebrado sem romantizá-lo e transforma o riso em instrumento de crítica , uma crítica que não se limita à política institucional, mas alcança a moral social, as promessas de sucesso, a falsidade das conciliações fáceis. Em tempos de padronização acelerada e consumo musical guiado por fórmulas, a permanência de Sampaio é uma espécie de recusa: ele lembra que a arte viva raramente é dócil.
Por isso, lembrar Sérgio Sampaio hoje não é apenas reverenciar um capixaba brilhante. É insistir que a cultura brasileira precisa comportar o risco, o excesso, o erro, o conflito e o que não se adapta. E é reconhecer que certas obras não se tornam grandes apesar de estarem à margem, mas justamente porque a margem lhes deu linguagem, tensão e verdade.
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“Agora É Que São Elas!” traz Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco a Vitória

Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco desembarcam em Vitória pela primeira vez, com o espetáculo “Agora É Que São Elas!”, comédia de esquetes escrita e dirigida por Fábio Porchat, sucesso pelo Brasil e Europa. A montagem será apresentada entre os dias 24 a 26 de abril, no Teatro Universitário – UFES, com sessões na sexta e sábado, às 20h, e no domingo, às 17h, os ingressos já estão à venda, no Sympla.com.br , com realização da WB Produções.
No palco, as atrizes se transformam em 20 personagens diferentes, interpretando homens e mulheres como protagonistas de nove esquetes que abordam situações cotidianas com humor rápido, afiado e altamente identificável. Os textos misturam criações recentes e outros escritos por Porchat em 2004 e 2005, que seguem extremamente atuais e conectados com o comportamento da década de 2020.
“É um humor de identificação. As pessoas se reconhecem nos personagens ou conhecem alguém que se parece com eles. São encenações do dia a dia, situações que a gente vive. Um comentário que achei divertido”, explica Fábio Porchat.
Na época em que escreveu parte dos textos, Porchat era estudante da CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), no Rio de Janeiro, e chegou a encenar alguns esquetes ao lado do saudoso colega Paulo Gustavo.
“Foi muito lindo revisitar esses textos escritos há 20 anos, que eu fiz na escola pro meu colega Paulo Gustavo. E foi bom ver que esse material ainda é atual, funciona e é engraçado. Se estivermos conectados ao que acontece ao nosso redor, vamos entender o Brasil, os costumes e as pessoas que estão à nossa volta”, afirma.
Entre os esquetes apresentados está “Superstição”, que mostra o reencontro de duas amigas que não se viam há anos — uma extremamente supersticiosa e a outra totalmente cética — interpretadas por Maria Clara Gueiros e Júlia Rabello. Em “Selfie”, Priscila Castello Branco e Maria Clara vivem uma situação desconfortável quando um fã aborda uma atriz famosa em um restaurante e, enquanto tenta tirar uma foto, passa a listar defeitos da artista que diz admirar. Já o esquete mais recente, “Meu Bebê”, traz Júlia e Priscila como um casal que compara obsessivamente o próprio filho de oito meses com os filhos das amigas, morrendo de medo que o bebê não seja o mais inteligente de todos.
Diferentes gerações da comédia no mesmo palco
O espetáculo reúne três atrizes de gerações distintas da comédia brasileira, que despontaram para o público em diferentes plataformas. A carioca Maria Clara Gueiros, bailarina de formação, estreou no teatro em 1987 e ganhou popularidade nacional no humorístico Zorra Total. Também carioca, Júlia Rabello se tornou conhecida como um dos principais nomes do Porta dos Fundos e participou de novelas como A Regra do Jogo e Rock Story. Já a paulistana Priscila Castello Branco transitou pelo drama no teatro e por novelas da TV Globo, mas se consolidou no stand-up, com destaque para o solo Tô Quase Lá.
A primeira temporada do espetáculo foi um grande sucesso de público. A peça estreou com casa cheia no Festival de Curitiba, em março de 2024, lotou por quatro meses o Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro — com sessões extras aos sábados — e ainda passou por temporada com ingressos esgotados em Niterói.
Para Porchat, o sucesso da montagem está diretamente ligado ao trabalho coletivo.
“A peça é despretensiosa. Tem três grandes comediantes no palco, que dominam e têm consciência do potencial delas. Um texto de comédia só funciona quando é feito por comediantes que acreditam nele. Essas mulheres melhoram o meu texto e as piadas, e eu acho isso incrível”, destaca.
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Legado de Luz del Fuego mobiliza evento cultural em Cachoeiro

O Centro de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Espírito Santo) receberá, neste sábado (11), o evento cultural “Ainda há luz?”, das 16h às 21h. A programação vai celebrar a trajetória da artista e ativista Luz del Fuego, (1917-1967) e homenagear Marco Antônio Reis (1997-2025), fundador da Cia NÓS de Teatro. A programação contemplará atrações em diversas linguagens artísticas, em dois locais diferentes.
O evento terá entrada gratuita e contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras, audiodescrição, sinalização acessível e distribuição de abafadores de ruído para pessoas com sensibilidade auditiva.
As atividades terão início no espaço Sessão 103, onde ficará a exposição que dá nome ao evento, com obras dos artistas visuais Haysian Costa, Andi Fraga e Mew Mew. Haverá, ainda, a exibição do documentário “Divina Luz”, sobre a trajetória de Luz del Fuego; a inauguração da Biblioteca Marco Antônio Reis; e a realização da performance “Nu Escuro”.
A partir das 17h30, vai ser realizado um cortejo em direção à Praça de Fátima, um dos principais espaços de cultura e lazer de Cachoeiro. No local, está prevista a realização de uma batalha de slam (poesia falada) a partir das 18h, contando com prêmios em dinheiro. Apenas mulheres (cis e trans) poderão participar, e as interessadas precisam se inscrever até sexta-feira (10) por meio de formulário online.
A programação na praça incluirá também: “dança do fogo”, com Raíza Dietrich; intervenção artística “Palavra Colada”, do Cine Por Elas; grafite no tecido, com o artista Nomad; set musical com DJs Avelã e Gabriel Rasta; além de microfone aberto para leituras, depoimentos e homenagens.
O evento tem como ponto de partida o legado de Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivácqua, que nasceu em Cachoeiro. Mulher à frente de seu tempo, ela criou na Ilha do Sol, no Rio de Janeiro, um território radical de liberdade e experimentação voltado ao naturismo, entre os anos 1950 e 1960 – um espaço onde corpos dissidentes encontravam abrigo e onde a arte se afirmava como gesto de enfrentamento ao conservadorismo.
Essa memória se entrelaça à trajetória recente do Centro Cultural Luz del Fuego, criado pela Cia NÓS de Teatro, que funcionou entre setembro de 2023 e abril de 2025 em Cachoeiro. Em meio a um cenário de precarização, o espaço acolheu cursos gratuitos, apresentações, encontros comunitários e diversas ações voltadas à formação e ao fortalecimento de vínculos no território.
No centro dessa história estava Marco Antônio Reis, um dos fundadores do espaço e figura fundamental para a cena cultural cachoeirense, mas que faleceu precocemente no ano passado. “Assim como Dora, Marco construiu um lugar de criação, acolhimento e transformação. Sua trajetória, atravessada também por desafios relacionados à saúde mental, revela a complexidade de sustentar espaços independentes de arte e cuidado em contextos adversos”, comenta Brenda Perim, produtora cultural da Cia NÓS de Teatro.
“Ao aproximar essas duas trajetórias separadas por décadas, mas unidas pelo mesmo gesto fundador”, continua Brenda, “o evento propõe uma leitura sensível e política sobre corpos, arte e resistência. Tanto Dora quanto Marco arderam com intensidade rara, enfrentando incompreensões e limites impostos por estruturas sociais e institucionais, deixando, ainda assim, rastros luminosos”.
O evento “Ainda há luz” é uma realização da Cia NÓS de Teatro, com apoio do Cineclube Jece Valadão, do Sessão 103 e do Levante de Rua. A iniciativa conta com recursos do Funcultura, acessados por meio de edital da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES).
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Maior festival de hambúrguer do ES chega a 2ª edição com 160 lanchonetes participantes

Experimente abrir um aplicativo de delivery na sua cidade e constate: o hambúrguer é, sem dúvidas, o prato mais pedido pelos “fominhas” capixabas. Seja o clássico “podrão” de bairro ou o enfeitado lanche gourmet, o importante é que seja acompanhado de muita maionese temperada. E é por isso que foi criado um concurso para eleger o melhor hambúrguer do Espírito Santo.
O Circuito Burger, maior festival capixaba de hambúrguer, chega à sua 2ª edição em 2026 mirando ampliar o sucesso do ano passado. Com cerca de 160 lanchonetes participantes, o concurso será realizado em 16 municípios de Norte a Sul do Espírito Santo, onde os clientes poderão provar criações inéditas e exclusivas de um dos pratos mais famosos do mundo. O evento vai acontecer de 10 a 31 de maio por meio do aplicativo Plus Delivery.
A ideia do Circuito Burger é eleger o melhor hambúrguer do ano no Espírito Santo. Para participar, cada lanchonete deve criar uma receita inédita, que poderá ser avaliada pelos clientes que a pedirem por meio da plataforma de delivery de comida.
O concurso tem ainda as categorias Atendimento, Entrega e Qualidade do Produto. E aqui não há limites para a criatividade: pode “podrão”, gourmet, com carne de frango, carne de peixe, sem carne (vegano), com maionese de batata, banana frita, o dobro ou triplo de bacon, acompanhamentos diferentões… e por aí vai.
Na primeira edição do Circuito Burger, em 2025, foram mais de 15 mil lanches vendidos em duas semanas e meia. Ao todo, a movimentação financeira gerada pelo evento foi de mais de R$ 10 milhões nas cidades participantes.
“Neste ano, vamos expandir o que deu certo para mais cidades, incluindo desde os pequenos deliveries até as grandes lanchonetes. Todo o processo, do pedido à votação, acontece dentro do aplicativo Plus Delivery”, afirma Luiz Henrique Sabadini, organizador do Circuito Burger.
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