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Bromélias promovem diversidade de plantas na floresta e enriquecem solo com nutrientes, mostra estudo

marcelo

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Bromélias promovem diversidade de plantas na floresta e enriquecem solo com nutrientes, mostra estudo
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Quem vê um jacarandá-branco ou caroba (Jacaranda puberula) florescendo na mata de restinga pode presumir que a frondosa árvore não poderia viver em um solo tão arenoso. E tem razão. Essa fisionomia da Mata Atlântica, bastante próxima do mar, tem como principal característica a predominância de espécies que prosperam com pouquíssimos nutrientes num solo ácido. Em um estudo publicado na revista Plant and Soil, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apoiados pela Fapesp constataram que essa aparente contradição é favorecida pela presença de um grupo específico de plantas que vive na copa das árvores: as bromélias, mais especificamente as bromélias-tanque epífitas, conhecidas por acumular água entre suas folhas e viver sobre outras plantas.

Além de água, essas bromélias acumulam detritos, como restos de plantas e animais. Quando os tanques transbordam, os nutrientes desses detritos dissolvidos na água fertilizam o solo abaixo dos galhos em que vivem. A área fertilizada facilita o crescimento de plantas com alta demanda nutricional, como a caroba, quando comparadas a outras espécies da área de estudo.

A relação entre essas epífitas e as plantas que vivem no solo, até então desconhecida, foi descrita como um novo tipo de interação vegetal, batizada de “interação remota entre plantas”, por ocorrer entre organismos fisicamente distantes.

Nos experimentos realizados, os pesquisadores constataram que folhas de plântulas de caroba irrigadas com água de bromélias continham 35% mais potássio, 36% mais fósforo, 3% mais ferro e 24% menos manganês, que pode ser tóxico para algumas espécies. As plantas produziram, ainda, quase duas vezes mais folhas do que as irrigadas apenas com água da chuva.

“As bromélias podem acumular até 50 mil litros de água por hectare em florestas tropicais. Constatamos agora que o extravasamento dos tanques dessas plantas, ao criar manchas de solos mais ricas em nutrientes, pode facilitar o crescimento de plantas com alta demanda nutricional, como a caroba”, conta Tháles Pereira, primeiro autor do trabalho, realizado durante doutorado no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp com bolsa da Fapesp.

O trabalho integra três projetos apoiados pela Fapesp, “Influência dos subsídios de origem aquática na resiliência das teias alimentares receptoras em florestas ripárias”, por sua vez vinculado ao Projeto Temático “Ecossistemas aquáticos continentais sob mudanças climáticas: impactos em múltiplos níveis de organização”. Outro apoio ocorre no âmbito do Programa BIOTA. Todos são coordenados por Gustavo Quevedo Romero, professor do IB-Unicamp que também foi orientador do doutorado de Pereira.

“As bromélias-tanque epífitas, embora ocorram na copa das árvores, têm um papel ecológico importante também para as comunidades do solo, uma função até recentemente insuspeitada. Elas abrigam ecossistemas completos, toleram diversos estresses e apresentam grande plasticidade fenotípica, o que lhes confere alto potencial facilitador. Esse estudo revela um novo papel ecológico dessas plantas e reforça a necessidade de sua conservação, já que sua redução pode desencadear perdas em cascata de espécies e funções ecológicas”, afirma Romero.

Adaptação

Em um estudo anterior, os pesquisadores mostraram como a água das bromélias altera a diversidade de plantas no solo abaixo delas. “Verificamos que algumas espécies da mata de restinga são tão adaptadas à escassez de nutrientes que, ao receberem o pulso de nutrientes da água das bromélias, acabam tendo seu crescimento reduzido, possivelmente por intoxicação causada pelo excesso de nutrientes”, diz Pereira.

No entanto, explica, as manchas irrigadas pelas bromélias formam uma pequena fração da área. A caroba, por exemplo, representa em torno de 5% das plantas da mata de restinga analisada pelos pesquisadores, no Núcleo Picinguaba, em Ubatuba (SP), parte do Parque Estadual da Serra do Mar.

“Embora reduza a presença de algumas espécies nessas manchas, a água rica em nutrientes das bromélias contribui para a diversidade funcional do sistema como um todo, favorecendo aquelas com alta demanda nutricional, que não poderiam crescer em outros pontos da mesma floresta”, afirma.

Em ambos os estudos, os pesquisadores analisaram a água de bromélias que vivem em galhos horizontalizados, gotejando diretamente no solo sem passar por outras partes da árvore.

Experimento

No estudo atual, o grupo buscou eliminar outros fatores que poderiam afetar o crescimento das plantas no solo, isolando o papel fertilizador da água das bromélias no sistema. Para isso, coletaram na área estudada água de bromélias e água diretamente da chuva, que eram congeladas e levadas para irrigar, em uma casa de vegetação em Campinas, mudas jovens de caroba adquiridas na região da área de estudo.

Em dez das 30 das bromélias que tiveram a água coletada, foram depositadas ainda folhas de pitanga enriquecidas com um tipo de nitrogênio pouco comum na natureza, que pode ser rastreado por análises químicas. Com isso, os pesquisadores mostraram que os nutrientes foram, de fato, transferidos dos detritos dos tanques das bromélias para as folhas das plantas irrigadas com a água dessas epífitas.

Em relação à água coletada diretamente da chuva, a acumulada nas bromélias tinha duas vezes mais nitrogênio, quatro vezes mais cálcio, dez vezes mais magnésio, seis vezes mais enxofre e pelo menos 11 vezes mais fósforo, entre outros nutrientes.

O pesquisador agora trabalha no papel das bromélias para a diversidade e o funcionamento das comunidades microbianas do solo. Para o trabalho, contou com bolsa de estágio na Pennsylvania State University, nos Estados Unidos.

Fonte: Agência – SP

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Censo de saneamento rural: saiba como identificar um agente

marcelo

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Censo de saneamento rural: saiba como identificar um agente
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Com o avanço do Projeto Brotar, que realiza o censo de saneamento nas áreas rurais de 371 municípios do estado de São Paulo, é importante que as comunidades das áreas contempladas pela pesquisa saibam fazer a identificação correta dos recenseadores que visitam as propriedades rurais.

O censo começa com um formulário, que deverá ser respondido pela população das residências mapeadas, cujas informações são essenciais para direcionar os investimentos e obras necessárias em cada região. Esse formulário é intermediado por um entrevistador de campo, que estará sempre identificado.

Como identificar os recenseadores

Para garantir a segurança das comunidades, todos os profissionais em campo devem seguir rigorosamente o padrão visual estabelecido:

  • Vestimenta: Uso obrigatório de colete e boné com a logomarca oficial do “Projeto Brotar”.
  • Identificação: Crachá visível contendo nome, foto e identidade visual do programa.
  • Equipamento: Coleta de dados realizada digitalmente via aplicativo em dispositivos móveis.

Parceria com a Polícia Militar

A operação conta com o suporte direto da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo para levar clareza às áreas recenseadas. A estratégia de proteção inclui:

  • Canais de Comunicação: Divulgação de informações oficiais em grupos de WhatsApp das comunidades rurais.
  • Vizinhança Solidária: Apoio do programa da Polícia Militar e dos Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs) para validar a presença das equipes.
  • Orientação: A população deve responder ao formulário apenas para agentes devidamente caracterizados.

O censo deve ocorrer até dezembro de 2026 e é o primeiro passo para levar rede de água e esgoto a mais de 820 mil domicílios que antes não eram atendidos pela Sabesp por questões contratuais. A presença dos agentes é essencial para mapear as soluções tecnológicas de saneamento que serão instaladas em cada propriedade, visando a universalização do serviço. Cabe ressaltar que o ano de 2033 é a data limite para a universalização do saneamento básico no Brasil.

No entanto, a Sabesp decidiu pela antecipação deste prazo para 2029 nos municípios atendidos pela companhia. O Brotar é executado pela Sabesp, junto com o Laboratório de Informações Estratégicas Agroambientais do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da APTA, o órgão de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Fonte: Agência – SP

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Com 96 equipes e mais de 2 mil jogadores, Taça Paulistana de Futebol Amador tem início no dia 11

marcelo

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Com 96 equipes e mais de 2 mil jogadores, Taça Paulistana de Futebol Amador tem início no dia 11
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A bola vai rolar para a Taça Paulistana de Futebol Amador 2026. Apoiado pela Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, o campeonato tem a sua primeira rodada marcada para o próximo dia 11.

Serão 96 equipes de futebol amador de todas as regiões da capital paulista e mais de 2 mil jogadores envolvidos. O formato de disputa prevê grupos com quatro times cada, onde os dois melhores se classificam para a fase eliminatória. Todos os jogos acontecem em um único campo, o CDC Jardim São José, em Pirituba, zona oeste da capital. A final acontece em 12 de julho.

“A Taça tem como principal objetivo incentivar a prática do futebol amador como ferramenta de transformação, promovendo integração social e qualidade de vida”, afirma Rodolfo Dalonso, presidente do Instituto Esporte e Cidadania, entidade responsável por organizar o torneio.

O acesso a todas as partidas da Taça é gratuito. O CDC Jardim São José fica na Rua Dom Manuel D’Elboux, 30, Vila Pereira Cerca – Pirituba.

Lei Paulista de Incentivo ao Esporte

Regulamentada pelo decreto 55.636 de 26/03/2010, a Lei Estadual de Incentivo ao Esporte de São Paulo contempla projetos vinculados às áreas educacional, formação desportiva, rendimento, sociodesportivo, participativa, gestão e desenvolvimento e infraestrutura. Ela possibilita à iniciativa privada o apoio a projetos esportivos elaborados por entidades privadas sem fins lucrativos de natureza esportiva ou por Prefeituras no Estado de São Paulo.

Fonte: Agência – SP

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USP oferece curso de extensão sobre economia, cultura e poder na internet

marcelo

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USP oferece curso de extensão sobre economia, cultura e poder na internet
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A disciplina de pós-graduação Economia, Cultura e Poder na Internet agora também será ofertada como curso de extensão para pessoas externas à USP. As aulas acontecerão entre 11 de março e 1º de julho de 2026, às quartas-feiras, das 9h às 12h, no Auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo. São 40 vagas destinadas a profissionais, pesquisadores e demais interessados nos impactos sociais, econômicos e políticos da internet. As inscrições vão até o meio-dia de 20 de fevereiro, neste link, com confirmação da matrícula a partir de 2 de março.

Coordenado por Pablo Ortellado (EACH-USP e IEA-USP) e Luiz Fernando Martins Castro (NIC.br), o curso tem como objetivo apresentar uma análise crítica e interdisciplinar das transformações promovidas pelo ambiente digital. A programação aborda desde os fundamentos técnicos e a história da internet até temas contemporâneos como economia de dados, governança digital, inteligência artificial, regulação jurídica, polarização política nas redes sociais e os efeitos culturais das tecnologias digitais.

O curso é uma realização da Cátedra Oscar Sala, parceria do IEA com o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O objetivo é qualificar o debate acadêmico e público sobre as dimensões técnicas, econômicas, políticas, jurídicas e culturais da internet, contribuindo também para a formulação de políticas públicas na área.

Para aprovação, os participantes deverão cumprir frequência mínima de 75% e apresentar um trabalho final em formato de artigo voltado ao público amplo.

Mais informações e inscrições estão disponíveis aqui.


Fonte: Agência – SP

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