Segurança
ES registra 22 mortes em ações policiais e reacende debate sobre uso da força


O Espírito Santo já registra 22 mortes em ações policiais entre janeiro e abril de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Apenas em abril, são cinco casos, que incluem a morte de duas mulheres e de um adolescente. Esse número reacende o debate sobre os limites do uso da força por agentes de segurança pública.
O cenário ganhou novo destaque após três mortes em menos de 24h na quarta-feira (8), em Cariacica e na Serra, envolvendo agentes da Polícia Militar.
Policial mata duas mulheres em Cariacica
Na manhã de quarta-feira (8), Daniele Toneto Rocha e Francisca Chaguiana Dias Viana foram mortas a tiros no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. Segundo as investigações, o autor dos disparos é Luiz Gustavo Xavier do Vale, um cabo da Polícia Militar.
De acordo com a corporação, o policial atuava em função administrativa após ter se envolvido, em 2022, em uma ocorrência com resultado de morte durante uma abordagem.
No dia do crime, ele teria acionado colegas para prestar apoio em uma ocorrência envolvendo a ex-companheira. Relatos indicam que o casal mantinha conflitos há cerca de um ano. Para a tia de Daniele, nada justifica a atitude do militar.
Ninguém merece ser morto desse jeito. É quase inaceitável, pois um policial deveria proteger a sociedade.
Tia da Daniele
Mortes em ações policiais
Outro caso envolvendo a Polícia Militar terminou em morte no bairro José de Anchieta, na Serra nesta quarta-feira (08). Um adolescente de 16 anos, identificado como Ítalo Corrêa, foi baleado durante uma ação policial.
Segundo a PM, o jovem teria ligação com o tráfico de drogas e teria atirado contra os militares. Moradores e familiares contestam a versão e afirmam que ele não estava armado no momento da abordagem.
Enquanto instituição, a gente fala que a conduta dele não representa a conduta da Polícia Militar no dia a dia.
Coronel Ríodo Rubim, comandante-geral da PM
Na última sexta-feira (3), Pablo Barbosa Meneses, de 29 anos, morreu após ser baleado durante uma ação de policiais militares, no bairro Areinha, em Viana.
De acordo com a Polícia Militar, equipes receberam a informação de que suspeitos armados estariam traficando drogas próximo a uma escadaria conhecida na região.
Durante a aproximação, os suspeitos teriam fugido e, segundo os militares, efetuado disparos contra a equipe, que revidou, e Pablo acabou atingido.
Além dessas situações, em março, dois adolescentes, de 17 anos e 15 anos, foram baleados em confronto com a Força Tática da Polícia Militar no bairro Santos Dumont, em Vitória.
Os policiais relataram que realizavam patrulhamento, quando foram recebidos com tiros. No tiroteio, os dois adolescentes acabaram baleados. Um deles morreu após passar por cirurgia.
Em fevereiro, uma operação na Serra contra o tráfico de drogas terminou com uma pessoa morta. A PM afirmou que foram recebidos com tiros ao se aproximar dos suspeitos, e que, por isso, revidaram. Mesmo assim, os suspeitos conseguiram fugir.
Um homem, identificado como Luiz Fernando Rodrigues da Silva, deu entrada em um hospital com ferimentos de tiros, porém não resistiu.
Debate sobre limites da atuação policial
Os dois episódios mais recentes, embora distintos, reforçam um debate recorrente sobre o papel das forças de segurança e o uso proporcional da força. De acordo com o sociólogo Pablo Lima Rabelo, nada justifica o uso de violência desmedida:
“Não tem justificativa, ainda mais ele fazendo parte da força que é feita para servir e proteger, utilizar de violência desmedida para resolver qualquer questão”.
Especialistas em segurança pública apontam que a discussão envolve não apenas a atuação policial, mas também políticas públicas mais amplas.
A gente precisa acreditar que a segurança pública é feita também com ações sociais, seja com estudo, com lazer, com alimentação adequada, com saúde. A gente consegue ter uma maior estruturação dessas juventudes e assim a gente pode ter um maior enfrentamento à criminalidade.
Nara Borgo, secretária de Estado de Direitos Humanos
*Com informações da repórter Nathalia Munhão, da TV Vitória/Record
Segurança
Caso do cabo que matou mulheres em Cariacica será encaminhado à Justiça comum
“Não toleramos”, afirma governador do ES sobre cabo que matou mulheres em Cariacica

O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, afirmou que não vai tolerar comportamentos como o cabo da Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale, que matou duas mulheres a tiros na manhã de quarta-feira (8), no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica.
Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, que eram casadas, foram mortas a tiros pelo cabo, que estava em serviço no momento do crime. Segundo relatos de testemunhas, o militar foi ao local após ser acionado pela ex-mulher por conta de uma discussão com as vítimas.
Em uma postagem das redes sociais, o chefe do Executivo estadual manifestou indignação com o crime e reforçou que a conduta do militar não representa a instituição. Ferraço destacou que a atuação do cabo da Polícia Militar foi inadmissível.
Manifesto minha profunda indignação diante do duplo homicídio ocorrido hoje em Cariacica. Trata-se de uma conduta inadmissível, que não representa, em hipótese alguma, a postura da nossa Polícia Militar. Não toleramos esse tipo de comportamento dentro da corporação.
Ricardo Ferraço, governador do Espírito Santo
Segundo ele, o policial foi preso logo após o crime pelos próprios colegas e permanece sob custódia do Estado. O caso será encaminhado à Justiça comum, por não se tratar de crime militar.
“Em contato direto com o comando da Polícia Militar, determinei que o caso seja tratado com celeridade e rigor absoluto na apuração, com responsabilização exemplar no que couber ao Estado, para que a justiça seja feita o mais breve possível“, finalizou Ferraço.
Relembre o caso
Duas mulheres foram mortas a tiros na manhã de quarta-feira (8), no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. As vítimas foram identificadas como Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, que eram casadas.
O autor dos disparos é o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que estava de serviço no momento do crime. Segundo informações da corporação, ele exercia atividades internas no quartel e não atuava em patrulhamento nas ruas.
De acordo com relatos, a confusão começou após uma discussão entre as vítimas e a ex-companheira do policial, que mora na mesma região. A mulher teria ligado para o militar pedindo ajuda, alegando que estava sendo agredida.
Após o contato, o policial solicitou apoio ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), e uma viatura foi enviada ao local. No entanto, o boletim de ocorrência aponta que o cabo não tinha autorização expressa para deixar o posto no batalhão e se deslocar até o endereço.
Quando chegou ao local, houve uma nova discussão. Em seguida, o policial sacou a arma e efetuou vários disparos contra as duas mulheres. Uma das vítimas morreu ainda na calçada, e a outra chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o crime, o militar foi preso em flagrante por outros policiais e encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar. Ele permanece detido enquanto o caso é investigado pelas autoridades.
Segurança
Operação integrada da PCES, PMES e PPES desarticula grupo criminoso no Norte do Estado

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Superintendência de Polícia Regional Norte (SPRN), com apoio da Inteligência e do K9 do 13º Batalhão da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e da Inteligência da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), deflagrou, na noite dessa quarta-feira (08), uma operação policial com o objetivo de desarticular uma organização criminosa atuante na região Norte do Estado. Ao todo, oito indivíduos foram conduzidos à autoridade policial, sendo eles com idades de 35, 36, 25, 24 e 19 anos, além de uma mulher de 26 anos e dois adolescentes de 16 anos.
Ao total da operação foram apreendidos duas pistolas calibre 9mm, um revólver calibre .38, 48 munições calibre 9mm, 17 munições calibre .40, 11 munições calibre .38 e duas munições calibre .32, além de 368 papelotes de cocaína, um pino de cocaína, 79 buchas de maconha, 29 pedras de crack e 14 porções de crack. Também foram recolhidos um drone da marca DJI, R$ 2.916,00 em espécie, três aparelhos telefônicos, um coldre de neoprene e um punho de submetralhadora. A PCES contou com equipes da 18ª Delegacia Regional de São Mateus, incluindo unidades especializadas como DHPP, Denarc, Dipo, DPCAI e Deam, além das Delegacias de Polícia (DP) de Conceição da Barra, Pedro Canário e Jaguaré, e da 17ª Delegacia Regional de Nova Venécia.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso estaria planejando ataques contra forças de segurança pública e proferindo ameaças de morte a policiais, incluindo ataques a viaturas e atentados contra policiais que atuam nas regiões dos quilômetros 28, 35 e 41, em represália à morte de um dos integrantes da organização, na última quarta-feira (1º). Ainda segundo apurado, o grupo criminoso estaria utilizando equipamentos do tipo drone para monitorar a movimentação policial na localidade. As investigações também apontaram que armas, drogas e valores ilícitos estariam sendo armazenados em um estabelecimento nas imediações, utilizado como forma de dificultar a caracterização de flagrante.
Em razão da gravidade dos fatos, foi deflagrada operação policial integrada, com a participação de equipes da Polícia Civil (PCES), Polícia Militar (PMES) e Polícia Penal (PPES), incluindo unidades regionais, especializadas e setores de inteligência, com o objetivo de coibir a atuação do grupo criminoso, preservar a ordem pública e garantir a segurança da população e dos agentes que atuam na região.
As equipes policiais deslocaram-se até a região do Km 35, em Nova Aimorés, zona rural de São Mateus, onde foram abordados dois adolescentes de 16 anos, além de indivíduos de 19, 24, 25 e 36 anos, indivíduos previamente identificados pelos setores de inteligência. Na ocasião, não foram encontrados materiais ilícitos em posse dos abordados durante a busca pessoal. No entanto, com base em informações já levantadas, a equipe dirigiu-se a um imóvel utilizado como residência/barbearia, localizado nas proximidades do ponto da abordagem, acompanhada pelo responsável legal.
Em um quarto do imóvel, utilizado por um adolescente de 16 anos, foi localizada uma mochila contendo expressiva quantidade de entorpecentes, incluindo comprimidos de ecstasy, porções e pedras de crack, buchas de maconha, pino e papelotes de cocaína, além de duas armas de fogo (uma pistola calibre .40 e um revólver calibre .38), diversas munições de diferentes calibres, coldre, aparelhos celulares e quantia em dinheiro em espécie.
Durante a operação, foi informado ainda que um indivíduo de 25 anos seria responsável por guardar drogas, valores e o drone utilizado pelo grupo criminoso para monitoramento das forças policiais. Diante disso, a equipe se deslocou até o endereço dele, onde foram apreendidos um drone da marca DJI, R$ 2.577,00 em espécie, um punho de submetralhadora, um documento e duas porções de maconha.
Ainda no decorrer da operação, em outro imóvel relacionado à ocorrência, uma mulher de 26 anos apresentou resistência à atuação policial, com prática de desacato e desobediência. Ela tentou dificultar o acesso da equipe ao local, inclusive, utilizando uma criança de colo para obstruir a passagem, além de proferir ofensas e ameaças contra os policiais. Com ela foram encontrados dois aparelhos celulares, sendo que um deles seria de sua propriedade e o outro de um dos indivíduos que se encontravam ocultos no imóvel. Sobre uma mesa na área externa, também foi localizada uma porção de maconha.
Dando continuidade à operação integrada, às equipes viram indivíduos empreendendo fuga, pulando muros e acessando o quintal de uma residência na região. Diante da situação, os policiais solicitaram autorização ao proprietário do imóvel, um homem de 35 anos, para realizar buscas no quintal e no interior da residência, com o objetivo de localizar os suspeitos, bem como possíveis armas ou entorpecentes que pudessem ter sido dispensados durante a fuga. A autorização foi concedida pelo morador.
Durante as buscas, foi visualizada, sobre um sofá no interior da residência, uma pistola calibre 9mm. Questionado, o proprietário do imóvel afirmou ser o dono da arma, alegando que a utilizava para defesa pessoal, informando ainda ter munições. Contudo, após verificação, constatou-se que, embora o armamento tivesse numeração, o indivíduo não tinha autorização legal para sua posse.
Todos os detidos e apreendidos — cinco homens de 35, 36, 25, 24 e 19 anos, uma mulher de 26 anos e dois adolescentes de 16 anos — foram conduzidos à 18ª Delegacia Regional de São Mateus, juntamente com todo o material apreendido, para as providências cabíveis.
O homem de 35 anos foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e munições de uso restrito e foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP). Um dos adolescentes de 16 anos assinou Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo e munições e porte ilegal de arma de fogo e munições de uso restrito. Após compromisso firmado por responsável legal para comparecimento ao Ministério Público, foi reintegrado à família. A mulher de 26 anos assinou Termo Circunstanciado (TC) por desacato à autoridade e foi liberada após assumir o compromisso de comparecer em juízo.
Já os demais suspeitos — de 36, 25, 24 e 19 anos —, bem como o outro adolescente de 16 anos, foram ouvidos e liberados, uma vez que a autoridade policial não identificou, naquele momento, elementos suficientes para a lavratura de prisão em flagrante, uma vez que a completa apuração dos fatos ainda depende de outras diligências, como a análise dos celulares apreendidos, perícias nos materiais recolhidos e o aprofundamento das informações de inteligência, o que não é possível neste primeiro momento.
Fonte: Polícia Civil – ES
Segurança
Duas mulheres são mortas a tiros por policial militar surtado em Cariacica
Uma delas morreu ainda no local, na Rua São Domingos. Já a segunda até foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu.

Duas mulheres, que eram casadas, foram mortas a tiros na manhã desta quarta-feira (08), no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, após uma discussão com a ex-mulher de um policial militar. O autor dos disparos é o PM, que é cabo na corporação.
Segundo informações, as vítimas foram identificadas como Franciele e Daiane. Uma delas morreu ainda no local, na Rua São Domingos. Já a segunda até foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu.
Em entrevista, a ex-mulher do policial militar relatou que há pelo menos dez meses havia conflitos recorrentes com as duas vizinhas. O motivo das discussões não foi divulgado.
“Há alguns dias elas vêm me testando, me provocando, falando se eu quero morar em outro lugar, para sair daqui porque a casa não é minha”, disse a ex-mulher do PM.
Nesta quarta-feira, ela alegou que Franciele e Daiane foram novamente até o portão de sua casa e passaram a insultá-la. Durante a discussão, as duas também teriam ofendido o filho da moradora, que tem 8 anos e é autista. O menino é filho do PM
Diante da situação, a ex-mulher do policial discutiu com as vizinhas e, em seguida, entrou em contato com o ex-marido, que estava em serviço.
“Eu estava no meu limite. Elas estavam falando que o ‘capeta’ do meu filho não é autista, porque ele estava jogando bola. Eu desci com uma faca e juntaram as duas, me jogaram no muro me batendo e agredindo. Me machucaram. Eu falei que não ia agir mais. Subi, liguei para o meu ex-marido, falei que precisava de duas viaturas”, relatou.
O cabo foi para o endereço em uma viatura. Ao ver o policial no local, segundo a ex-mulher, Franciele e Daiane partiram para cima. Nesse momento, o cabo da PM fez os disparos.
Na hora que meu ex-marido entrou no portão, e ele já ia subindo, eu falei que elas estavam na rua, estavam lá embaixo. Nesse momento, uma delas foi para cima do meu ex-companheiro e ele na mesma hora sacou a arma e começou a atirar.
Moradora, ex-mulher do PM
Equipes das polícias Civil e Militar estiveram no local. A reportagem demandou as corporações para mais informações do crime e a matéria será atualizada assim que as respostas foram enviadas. Não há informações, neste momento, se o cabo da PM foi detido.
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