Política
Manato e Soraya vão entrar no partido de Pazolini
As dificuldades para o ex-deputado federal conseguir ser candidato a senador pelo Republicanos em 2026

A decisão foi tomada por Manato: “Soraya e eu vamos para o Republicanos”. O ex-deputado federal conta que ele e a esposa, também ex-deputada federal, devem oficializar a filiação ao novo partido até o fim deste mês. Presidido no Espírito Santo por Erick Musso, o Republicanos é o partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, pré-candidato a governador do Espírito Santo. Eles agora fazem parte do mesmo grupo político.
Manato foi deputado federal por quatro mandatos seguidos, de 2003 a 2018 (pelo PDT). Herdeira política do marido e médica obstetra como ele, Soraya exerceu um mandato em Brasília, também na Câmara, de 2019 a 2022.
A filiação de Soraya ao Republicanos, a convite de Erick Musso, estava muito bem encaminhada desde que ela se tornou a secretária de Assistência de Vitória na administração de Pazolini, em março. O convite para ela compor o secretariado veio atrelado ao de filiação, em acordo com Manato – que fala politicamente pelo casal. A prioridade absoluta de Manato nas eleições de 2026 é o retorno da esposa para a Câmara dos Deputados. “Devo isso a ela.” O Republicanos garante legenda e uma chapa confortável para Soraya tentar cumprir esse objetivo.
Outro anúncio feito nesta segunda-feira (17) foi determinante para Manato fechar questão e decidir que Soraya vai mesmo se filiar ao Republicanos: a oficialização da filiação do Coronel Alexandre Ramalho ao mesmo partido para ser candidato a deputado federal. O próprio Ramalho confirmou à coluna que será candidato à Câmara. Ajuntou que isso dá “tranquilidade” à chapa de federais do partido. Manato disse à coluna que, de fato, a certeza da presença de Ramalho dá mais consistência à chapa e tranquilidade para a candidatura de Soraya.
Nos bastidores, falava-se ainda na hipótese de Ramalho optar por ser candidato a deputado estadual. Seria possivelmente uma eleição mais fácil para ele próprio, mas sua “descida” reduziria as chances de o Republicanos eleger dois deputados federais. Com o coronel na chapa, calcula-se que o Republicanos na certa fará um federal e terá chances reais de brigar pela segunda vaga. Soraya estará nessa briga, em uma chapa que também deve ter, por exemplo, Erick Musso e Amaro Neto.
Em suma, o duplo anúncio de Ramalho aparou a aresta que restava para que Soraya possa mesmo confirmar sua filiação ao Republicanos – cantada desde meados de março.
A situação de Manato
Já a filiação de Manato ao Republicanos, agora iminente, não era tão certa até pouco tempo atrás. O próprio Manato chegou a declarar que eles não necessariamente iriam para a mesma agremiação.
O ex-deputado, desde o início do ano, é, declaradamente, pré-candidato a senador. Ainda está filiado ao PL – pelo qual disputou e perdeu a eleição para governador em 2022 –, mas não tem chance alguma de ser candidato ao Senado pela sigla de Jair Bolsonaro, porque está brigado com o senador Magno Malta, que controla o PL no Estado, e porque o próprio Magno já lançou à Câmara Alta sua filha Maguinha Malta.
Para viabilizar sua candidatura a senador, Manato já decidiu há meses se desfiliar do PL e entrar em outro partido de direita – um que lhe dê legenda. E foi aí que o ex-deputado esbarrou em uma grande dificuldade. Como já analisamos aqui, não tem sido tão simples, para Manato, encontrar “outro partido de direita que lhe dê legenda para ser candidato ao Senado”. O ex-deputado bateu em várias portas, como na do Novo, na do PP e na do PRD. Ocorre que:
1) o número total de partidos no país está diminuindo;
2) alguns deles já têm compromisso em apoiar, para governador, Ricardo Ferraço (MDB) ou Arnaldinho Borgo (sem partido), ambos aliados de Renato Casagrande (PSB); por coerência, não podem dar legenda para um adversário do governador;
3) na disputa para o Senado, a direita no Espírito Santo está bem dividida, e o número de candidaturas, pulverizado. O Novo tem Leonardo Monjardim; o DC tem Wellington Callegari; o PSD pode lançar Sérgio Meneguelli (com apelo junto a camadas do eleitorado de direita); a Federação União Progressista pode lançar Da Vitória ou Evair de Melo; o MDB tem Euclério Sampaio (que ainda pode mudar de partido).
Resumindo: quase todo mundo ou já tem candidato próprio ao Senado ou algum tipo de compromisso nas eleições majoritárias que impossibilita o acolhimento do projeto de Manato.
As chances de Manato no Republicanos
Restou… bem, restou o Republicanos. E aqui, numa análise inicial, o caminho para ele tentar ser candidato a senador também não é dos mais promissores. Isso pelo motivo óbvio, que já foi citado lá no alto: o partido conservador de direita tem candidato próprio ao Palácio Anchieta, que atende por Lorenzo Pazolini. Como não é segredo para ninguém, essa é a prioridade total do Republicanos no Espírito Santo.
Ora, os estrategistas de Pazolini – destacadamente, Erick Musso – ambicionam formar uma grande frente de partidos de direita a apoiar a candidatura do prefeito. No plano ideal, essa frente reuniria o PL, o Novo, o PSD, a Federação União Progressista… Repararam? Todas essas agremiações já foram citadas acima; todas foram mencionadas como siglas de direita que já têm os respectivos pré-candidatos ao Senado.
É evidente que os articuladores do Republicanos usarão os dois espaços para o Senado nessa mesma coligação para atrair essas outras forças de direita e ampliar a aliança em torno de Pazolini. A preferência para o preenchimento dos dois lugares será dada a potenciais parceiros, como o PL, o PSD etc. Nesse contexto, soa improvável que o Republicanos, além da cabeça da coligação com Pazolini, ainda preencha ele próprio uma das duas vagas disponíveis para candidaturas ao Senado.
Hoje, arriscamo-nos a dizer que a única possibilidade de isso ocorrer (e de Manato, portanto, ser candidato a senador pelo Republicanos) é se o plano do partido ruir e a tão sonhada “frente ampla de direita” der lugar a uma aliança bem mirrada. Em outras palavras, se a realidade em agosto de 2026 ficar muito aquém da expectativa mantida a esta altura.
De certo modo, em conversa com a coluna, é nisso que Manato parece apostar: se a coligação encabeçada por Pazolini no fim das contas ficar minguada, lá estará ele a postos, no lugar certo, filiadíssimo ao Republicanos, para poder preencher uma das duas vagas e ser candidato ao Senado pelo mesmo partido. Por que não?
Quando lhe indagamos se “há lugar” para ele ser candidato a senador na coligação de Pazolini, o próprio Manato faz questão de lembrar que na verdade, neste ponto do processo, ainda nos vemos diante de uma série de questões imponderáveis.
“Ainda tem muitos ‘se’. E esses ‘se’ só serão resolvidos em julho do ano que vem, nas convenções. Você sabe qual será a coligação majoritária do Republicanos? Você sabe quais partidos estarão na aliança do Republicanos e se esses partidos terão candidato a senador? Você sabe se Arnaldinho vai renunciar em abril para ser candidato? Você sabe se Euclério vai renunciar para ser candidato?”
Manato afirma que seu acordo com Erick e Pazolini não passa pela garantia de que ele será candidato a senador, mas que recebeu deles a palavra de que, entrando no Republicanos, terá total liberdade para se movimentar e buscar se viabilizar. Tudo se resolverá na convenção partidária.
“A única certeza que eu tenho é que no PL não poderei ser candidato. No Republicanos, eles me deram liberdade para eu tentar me viabilizar. Todas as arestas foram aparadas. Soraya e eu vamos entrar no partido”, reafirma.
O ex-deputado refuta que possa ser candidato a outro cargo no Republicanos. “Para deputado federal, a candidata do meu grupo é a Soraya. Para estadual, eu tenho compromisso com várias pessoas. Nosso candidato a governador é o Pazolini. O que me resta é senador.”
Manato ainda reafirma um compromisso registrado por ele aqui em março:
“Meu governador é Pazolini”.
Política
Pazolini deixa o cargo e Cris Samorini é a nova prefeita de Vitória
Cris assinou o termo de posse na manhã deste sábado, após renúncia de Pazolini para disputar as eleições

Na manhã deste sábado (04), a Prefeitura de Vitória formalizou a assinatura do termo de transmissão de cargo do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a vice, Cris Samorini (PP), que se tornou a primeira mulher a comandar a Capital do Espírito Santo.
O termo foi assinado no gabinete da presidência da Câmara de Vitória, na presença do presidente do Legislativo, Anderson Goggi (Republicanos), e do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso
O ato vem após Pazolini renunciar ao cargo para concorrer nas eleições deste ano – ele é pré-candidato ao governo do Estado. De acordo com o ofício enviado à Câmara, a renúncia foi marcada para hoje.
Segundo Goggi, com a renúncia do prefeito, automaticamente a vice assume. “O ato de posse foi somente para formalizar, porque ela já assume automaticamente, já é a prefeita definitiva. Na segunda, será a solenidade de posse”.
Em nota, Cris disse que o ato garante a continuidade das ações: “Cumprimos uma etapa importante que está dentro do regimento e da lei orgânica, e agora seguimos com uma gestão planejada, garantindo a continuidade das ações. Meu compromisso é manter o ritmo de trabalho, dar sequência ao direcionamento estabelecido e assegurar que as entregas previstas para a cidade sejam concluídas como esperado”.
“Momento importante para a cidade de Vitória, fizemos a transição com gratidão a Deus, a minha família e aos capixabas, com serenidade e sabedoria, com a confiança que a Cris vai continuar e aprimorar esse trabalho, investindo muito na cidade, cuidando das pessoas e com a certeza que Vitória está em ótimas mãos”, destacou Pazolini, também por meio de nota.
A solenidade de posse está marcada para a próxima segunda-feira (06), às 17 horas, na Câmara de Vitória.
Política
Lucas Polese leva ao TCES denúncia contra diretor do DER-ES em obra de São Mateus
Parlamentar aponta possível favorecimento em desapropriação milionária e cobra apuração sobre alteração do traçado do contorno rodoviário

A cena ocorrida nos degraus do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) nesta semana carrega um simbolismo que vai além da política partidária. Quando o deputado estadual Lucas Polese protocolou pessoalmente uma representação contra o diretor do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, ele não estava apenas entregando papéis; estava acionando as engrenagens de um sistema desenhado para proteger o cidadão comum.
O Caso em Questão
No centro da denúncia, uma questão de princípios: a obra do contorno de São Mateus. Segundo o parlamentar, há indícios graves de conflito de interesses. A suspeita é de que o traçado da rodovia teria sido alterado para atingir terras pertencentes ao próprio diretor da autarquia, resultando em uma indenização milionária de mais de R$ 3 milhões.
O que torna o relato ainda mais sensível ao olhar humano é a disparidade no tratamento: enquanto o gestor já teria recebido parcelas consideráveis da indenização, outros dez proprietários locais — cidadãos sem cargos de poder — ainda aguardam o início de seus pagamentos.
Para Polese, a questão central não é técnica, mas moral. Em sua visão, mesmo que a desapropriação fosse o único caminho viável, a ética exigiria um distanciamento absoluto do beneficiado. “Não se trata apenas de uma discussão burocrática. Estamos falando de respeito ao contribuinte”, defende o deputado.
Essa postura do mandato reflete um sentimento crescente na sociedade: o desejo de que o agente público não seja apenas eficiente, mas inquestionável em sua conduta.
Fiscalizar é, talvez, a tarefa mais árdua e solitária de um deputado. Ao levar o caso ao TCES, a denúncia sai do barulho das redes sociais e entra no campo da legalidade institucional.
É fundamental lembrar que, em uma democracia saudável, a investigação é o caminho para a verdade:
- Para o acusado: É a oportunidade de provar a regularidade de seus atos sob o crivo técnico.
- Para o acusador: É o cumprimento do dever de não se calar diante de dúvidas relevantes.
- Para a sociedade: É a garantia de que o dinheiro dos seus impostos não está sendo usado para privilegiar poucos em detrimento de muitos.
Ver essa foto no Instagram
Ver essa foto no Instagram
Ver essa foto no Instagram
A expectativa agora recai sobre os órgãos de controle. O que a população capixaba espera não é o espetáculo da condenação antecipada, mas a serenidade da justiça. Ao provocar esse debate, Lucas Polese reafirma que o gabinete parlamentar deve funcionar como um canal aberto para a população — um lugar onde denúncias ganham voz e a transparência se torna a regra, não a exceção.
No fim, a mensagem é clara: o caixa do Estado pertence ao povo, e qualquer um que o gerencie deve estar pronto para prestar contas sob a luz mais forte do tribunal.
Política
Pazolini e Arnaldinho juntos no Carnaval de Vitória. Juntos também na eleição?
Os dois prefeitos são cotados para disputar o governo do Estado e, até então, estavam em lados opostos

O abre-alas do Carnaval de Vitória 2026 colocou na avenida um fato que não estava no enredo de nenhuma agremiação – nem carnavalesca e nem partidária.
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), chegaram juntos ao Sambão do Povo, anunciaram investimentos lado a lado e desfilaram pela passarela do samba na mesma cadência.
Demonstrando muito entrosamento e uma aproximação até então jamais vista, os dois cumprimentaram a plateia, bateram ponto nos camarotes e posaram para fotos abraçados e com os braços erguidos.
A cena passaria despercebida se não fosse o fato de que os dois são pré-candidatos ao governo do Estado neste ano e integram grupos opostos – ou pelo menos integravam, até a noite desta sexta-feira (06).
Arnaldinho é (ou era) aliado do governador Renato Casagrande (PSB), adversário de Pazolini. Mesmo após ser deixado na concentração na escolha da sucessão – o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) será o nome apoiado por Casagrande na disputa pelo Palácio Anchieta –, o prefeito reiterou apoio a Casagrande na disputa ao Senado e não recuou, nem um centímetro, em sua pré-candidatura ao governo.







