Política
Hartung reage a críticas e mira Ferraço e Casagrande em palestra no Sul do ES
Nos últimos meses, Hartung tem sido alvo de ataques mais fortes do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), seu ex-aliado e também ex-vice. Segundo Ferraço, a última gestão de PH, entre 2015 e 2018, teria sido marcada por uma “paralisação geral”.

Durante uma palestra em Cachoeiro de Itapemirim, o ex-governador Paulo Hartung (PSD) aproveitou a ocasião para disparar críticas em múltiplas direções — do cenário estadual ao nacional.
Nos últimos meses, Hartung tem sido alvo de ataques mais fortes do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), seu ex-aliado e também ex-vice. Segundo Ferraço, a última gestão de PH, entre 2015 e 2018, teria sido marcada por uma “paralisação geral”.
Em Cachoeiro, terra natal de Ricardo — a famosa “Capital Secreta do Mundo” —, Hartung iniciou seus contragolpes sem citar nomes. O primeiro movimento foi conectar “sonho” e “realidade” na política, numa referência indireta à viabilidade eleitoral:
“Política é assim. Você precisa combinar o seu sonho, o seu desejo — na linguagem dos psicanalistas — com a rua e com as redes, agora.”
Na sequência, revisitou o início de sua última gestão, afirmando ter recebido um Estado em recessão após o primeiro governo de Renato Casagrande (PSB), entre 2011 e 2014:
“Não tinha dinheiro para fazer nada. As despesas tinham crescido no período anterior. Só havia um jeito de fazer política pública inovadora: entrar na máquina, combater o desperdício e realocar recursos. Foi o que eu fiz. Nós inventamos a Escola Viva, a educação integral em tempo integral.”
Hartung também aproveitou para lançar críticas veladas aos adversários e ao governo federal:
“Quem não cuida das contas provoca o que estamos vendo: endividamento acelerado. Juros altos. E, dependendo do período — e isso não está acontecendo agora porque temos um Banco Central firme e independente — já teríamos inflação.”
O ex-governador ainda atacou práticas populistas:
“Qual é o problema do populismo? Se perder a eleição, quem ganha é quem vai ter que arrumar a casa. Foi o que eu tive de fazer quando voltei ao governo. E organizar, muitas vezes, gera incompreensões.”
Em seguida, mirou novamente na dupla Renato/Ricardo, sobretudo na condução econômica — área em que PH se apoia pela própria formação:
“A apresentação do Espírito Santo é bonita, mas limitada. Ela se sustenta em incentivos fiscais que criamos no meu ciclo de governo e que estão perto do fim. O que vamos colocar no lugar? O petróleo já subiu, estabilizou e está em queda. Hoje produzimos metade do pico. O que entra no lugar? Por isso brinquei outro dia — brincadeira séria — para provocar reflexão: ‘Pai rico, filho nobre, neto pobre’.”
Ao que tudo indica, as observações de Hartung servirão de base para a narrativa crítica da campanha que enfrentará o grupo liderado por Casagrande. Cenas dos próximos capítulos.
Política
Pazolini deixa o cargo e Cris Samorini é a nova prefeita de Vitória
Cris assinou o termo de posse na manhã deste sábado, após renúncia de Pazolini para disputar as eleições

Na manhã deste sábado (04), a Prefeitura de Vitória formalizou a assinatura do termo de transmissão de cargo do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a vice, Cris Samorini (PP), que se tornou a primeira mulher a comandar a Capital do Espírito Santo.
O termo foi assinado no gabinete da presidência da Câmara de Vitória, na presença do presidente do Legislativo, Anderson Goggi (Republicanos), e do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso
O ato vem após Pazolini renunciar ao cargo para concorrer nas eleições deste ano – ele é pré-candidato ao governo do Estado. De acordo com o ofício enviado à Câmara, a renúncia foi marcada para hoje.
Segundo Goggi, com a renúncia do prefeito, automaticamente a vice assume. “O ato de posse foi somente para formalizar, porque ela já assume automaticamente, já é a prefeita definitiva. Na segunda, será a solenidade de posse”.
Em nota, Cris disse que o ato garante a continuidade das ações: “Cumprimos uma etapa importante que está dentro do regimento e da lei orgânica, e agora seguimos com uma gestão planejada, garantindo a continuidade das ações. Meu compromisso é manter o ritmo de trabalho, dar sequência ao direcionamento estabelecido e assegurar que as entregas previstas para a cidade sejam concluídas como esperado”.
“Momento importante para a cidade de Vitória, fizemos a transição com gratidão a Deus, a minha família e aos capixabas, com serenidade e sabedoria, com a confiança que a Cris vai continuar e aprimorar esse trabalho, investindo muito na cidade, cuidando das pessoas e com a certeza que Vitória está em ótimas mãos”, destacou Pazolini, também por meio de nota.
A solenidade de posse está marcada para a próxima segunda-feira (06), às 17 horas, na Câmara de Vitória.
Política
Lucas Polese leva ao TCES denúncia contra diretor do DER-ES em obra de São Mateus
Parlamentar aponta possível favorecimento em desapropriação milionária e cobra apuração sobre alteração do traçado do contorno rodoviário

A cena ocorrida nos degraus do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) nesta semana carrega um simbolismo que vai além da política partidária. Quando o deputado estadual Lucas Polese protocolou pessoalmente uma representação contra o diretor do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, ele não estava apenas entregando papéis; estava acionando as engrenagens de um sistema desenhado para proteger o cidadão comum.
O Caso em Questão
No centro da denúncia, uma questão de princípios: a obra do contorno de São Mateus. Segundo o parlamentar, há indícios graves de conflito de interesses. A suspeita é de que o traçado da rodovia teria sido alterado para atingir terras pertencentes ao próprio diretor da autarquia, resultando em uma indenização milionária de mais de R$ 3 milhões.
O que torna o relato ainda mais sensível ao olhar humano é a disparidade no tratamento: enquanto o gestor já teria recebido parcelas consideráveis da indenização, outros dez proprietários locais — cidadãos sem cargos de poder — ainda aguardam o início de seus pagamentos.
Para Polese, a questão central não é técnica, mas moral. Em sua visão, mesmo que a desapropriação fosse o único caminho viável, a ética exigiria um distanciamento absoluto do beneficiado. “Não se trata apenas de uma discussão burocrática. Estamos falando de respeito ao contribuinte”, defende o deputado.
Essa postura do mandato reflete um sentimento crescente na sociedade: o desejo de que o agente público não seja apenas eficiente, mas inquestionável em sua conduta.
Fiscalizar é, talvez, a tarefa mais árdua e solitária de um deputado. Ao levar o caso ao TCES, a denúncia sai do barulho das redes sociais e entra no campo da legalidade institucional.
É fundamental lembrar que, em uma democracia saudável, a investigação é o caminho para a verdade:
- Para o acusado: É a oportunidade de provar a regularidade de seus atos sob o crivo técnico.
- Para o acusador: É o cumprimento do dever de não se calar diante de dúvidas relevantes.
- Para a sociedade: É a garantia de que o dinheiro dos seus impostos não está sendo usado para privilegiar poucos em detrimento de muitos.
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A expectativa agora recai sobre os órgãos de controle. O que a população capixaba espera não é o espetáculo da condenação antecipada, mas a serenidade da justiça. Ao provocar esse debate, Lucas Polese reafirma que o gabinete parlamentar deve funcionar como um canal aberto para a população — um lugar onde denúncias ganham voz e a transparência se torna a regra, não a exceção.
No fim, a mensagem é clara: o caixa do Estado pertence ao povo, e qualquer um que o gerencie deve estar pronto para prestar contas sob a luz mais forte do tribunal.
Política
Pazolini e Arnaldinho juntos no Carnaval de Vitória. Juntos também na eleição?
Os dois prefeitos são cotados para disputar o governo do Estado e, até então, estavam em lados opostos

O abre-alas do Carnaval de Vitória 2026 colocou na avenida um fato que não estava no enredo de nenhuma agremiação – nem carnavalesca e nem partidária.
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), chegaram juntos ao Sambão do Povo, anunciaram investimentos lado a lado e desfilaram pela passarela do samba na mesma cadência.
Demonstrando muito entrosamento e uma aproximação até então jamais vista, os dois cumprimentaram a plateia, bateram ponto nos camarotes e posaram para fotos abraçados e com os braços erguidos.
A cena passaria despercebida se não fosse o fato de que os dois são pré-candidatos ao governo do Estado neste ano e integram grupos opostos – ou pelo menos integravam, até a noite desta sexta-feira (06).
Arnaldinho é (ou era) aliado do governador Renato Casagrande (PSB), adversário de Pazolini. Mesmo após ser deixado na concentração na escolha da sucessão – o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) será o nome apoiado por Casagrande na disputa pelo Palácio Anchieta –, o prefeito reiterou apoio a Casagrande na disputa ao Senado e não recuou, nem um centímetro, em sua pré-candidatura ao governo.
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